|:| Corpus Compartilhado Diacrônico: cartas pessoais brasileiras |:| Célia Lopes {celiar.s.lopes@gmail.com} e Silvia Cavalcante {silviare@gmail.com} |:| carta 05-JM-26-09-1936 |:| Autor: Jayme Oliveira Saraiva |:| Destinatário: Maria Ribeiro |:| Data: 26 de Setembro de 1936 |:| Versão original |:| Encoding: UTF-8 Rio de Janeiro 26 de Setembro de 1936 Minha querida noivinha ! Alegra-te ? Espero que esta te vá encontrar em franco repouso de convalescensa assim como os teus , os meus vão bem graças a Deus , eu é que estou pioran-do muito , mas para não dar braço a torcer continúo calado . Eu andava tão triste por não saber noticias tuas só tinha recebido a carta que escreves-te na segunda feira , ainda hontem de manhã esperava que o [N.] trouxe-se alguma , não trazia nada , então fiquei muito mais inquieto , jul-gando que tivesse acontecido alguma coisa ahi , nem fui na pensão só para escrever-te pedindo noticias , pois é a nossa única via de comunicação , mas esta carta não cheguei a mandar , pensei que primeiro devia ir na tua casa , talvez tivesse chegado alguma , e guardei carta já pronta , com envelope e tudo . A noite fui a tua casa , qual a alegria que esperava-me , tinha duas cartas para mim , mal recebias fui ler , as cartas eram dos dias 22 e 23 do corrente , fiquei um pouco mais descansado , mais um pouco desaçosegado por saber que tens tido febre e que a [H.] tambem está meio adoentada . Irei visitar-te no dia 4 , pois não suporto mais tempo sem ver-te , quero ir buscar em ti minha flor o lenitivo de minha dor que é o teu amor , quero sorver de teus labios minha querida o néctar de um beijo de amor embria-gador , quero buscar a minha ventura , olhando para os teus olhos , vejo de eles dizem que toda a minha ventura estão dentro deles só eles poderão me dar força na hora de desalento , para mim tú és a mesma coisa que uma taboa para um naufrago , que quando esta preste a morte , quando surge-lhe a taboa , ele é capaz de dar mundo inteiro pela aquela taboa porque nela esta a sua vida se ela fugir ele morre afogado , a mesma coisa tu és para , eu sou o nalfrago e tu es a táboa , não ha no mundo coisa alguma que pague o que mereces para mim , embora tu queiras só o meu amor , ele ja e teu a muito tempo , tu mereces muito mais minha flor , sem ti morrerei . Queres saber porque briguei com Snr. [M.] , isto não interessa , agua passada não volta ao moinho , depois falarte-ei quando for ahi . Vou satisfazer o teu pedido , irei amanhã na festa da Primavera , com o [A.] , e o [D.] , mas talvez venha embora cedo porque eles vão para [pag] andar atraz de pequenas e isto não me interessa , porque só em ti reside todo o meu amor , e sei tambem que lá , não irá beleza que suplante a tua tu bem sabes disso , e mais a mais não gosto de bancar o center-half de nin-guem . Falas-te do beijo que demos , eu acho que de todos os que demos aquele foi o melhor , não tenho esquecido um só momento , foi tão forte que não posso rir estou com o labio arrebentado . Manda-me dizer se a [I.] viu , e as fotografias estão demorando muito , se fosse aqui no Rio um milhão de fotografias , amanhã irei a tua casa logo de manhã cedo . Na ultima carta já te disse que vou para a linha de Tiro , no proximo mez , vou ser palhaço . Recomendações aos teus , estimo as melhoras , um beijinho para a [H.], e para voce minha querida noivinha muitos beijos e abraços deste teu noivinho que jamais te esquecerá , e que depositou todo seu amor em vocé . teu tristonho noivinho [J. O. S.]