|:| Corpus Compartilhado Diacrônico: cartas pessoais brasileiras |:| Célia Lopes {celiar.s.lopes@gmail.com} e Silvia Cavalcante {silviare@gmail.com} |:| carta 04-PF-11-08-1877 |:| Autor: João Pedreira do Couto Ferraz. |:| Destinatário: |:| Data: 11 de agosto de 1877 |:| Versão modernizada |:| Encoding: UTF-8 Minha cara filha e amiga Tijuca 11 de Agosto de1877 . Esta é para ser lida , quando tiveres algum lazer , ou hora vaga , nestas vésperas de festas e de hospedagem . Sinto até por isso , desde que podia ajudá-los e os acompanhar nesses atos , o impossível de estar com Você agora . Vai a festa , aliás a vossa a ausência pode ser motivo de reparo , quando todos reconhecem no meu filho o sucessor dos nobres donos da Santa Fé . Tal é o cansaço , que me acomete , que devera já estar deitado afim de ver si concilio o sono e mesmo porque as 2 horas de amanhã pela manhã devo estar já de pé tomando algum alimento e logo após descendo a serra da Tijuca , porém o desejo de escrever-te e fingir que estou conversando contigo são incentivos mais poderosos de que os meios higiênicos para eu não passar tão mal . [pag] Pretendo ir no carro de ferro das 5 horas da manhã para poder alcaçar missa no Pinheiro amanhã domingo , tendo-a já perdido em dois domingos seguidos As 7 horas só chego no Pinheiro depois do meio dia e as 9 embora não pare na Estação de Pinheiro vou até a Barra Mansa espero até uma meia hora e entro no trem que vem de São Paulo e que toca na cela Estação de Pinheiro ás 10 horas . O sacerdote fez-me a fineza de celebrar a missa um pouco mais tarde O nosso velho e amigo Senhor Breves , teu Padrinho – tão indiferente a todos os negócios e cartas , vendo pelo exterior do papel que era de ti uma carta – leu-a com prazer e depois deu-me para ler . Fizeste bem em escrever àquele Santo varão tão nosso amigo . E o Jerônimo , quando puder – escrevo-lhe , dando os parabéns por já estar ele inint. e por saber que o incômodo nada teve , nem de grave . Tua Mãe , a Mimi , os meninos e o Janio vão passando bem . De propósito saí da Cidade hoje às 4 horas , deixando tudo mais a margem com o pensamento de dedicar aos nossos de coração a hora o do jantar e a parte da tarde e noite [pag] Tenho sentido saudades da inocentinha Maria Eliza . Agora mesmo parecia-me ela estava no berço e que eu me levantava para embalá-la e a acalentar – Por falar nela – Comprei de propósito a última produção poética de Victor Hugó – A arte de ser avô – para ver se colhia alguns conhecimentos a seu respeito , desde que me revestiste desse sagrado caráter de ser Pai duas vezes Mando-te este livro para leres Reconhecendo perante tu comigo que só um ou outro pensamento e aproveitável no meio de muita coisa ruim . São raros brilhantes no meio de grandes im imundícies , ou uma ou outra estrela que cintila no meio da escuridão da noite carregada de eletricidade e de carbono Nada absolutamente aprendi com esse gênio do século 19 – O tal louco sublime abusa dos seus talentos Assim como com os seus perigosos Escritos em mais de meio século e ideias extravagantes conseguiu estragar a mocidade pandega e o espírito público europeu quer ver se agora dirigindo-se as crianças – os gigantes do porvir e principalmente as meninas – futuras mães de famílias – logra estragá-las , imbuindo do-as falsas . [pag] Quando menos esperares , renovados os maiores obstáculos , darei um salto da Corte a Santa Fé para abraçar os caros filhos e beijar a Maria Eliza . Parando aqui , minha Zelia tenho ainda o coração cheio de lembranças de ti e de mil pensamentos terno e amistosos , assim não é por falta de sentimentos e afetos que se aliviam um pouco na ausência da guerra pondo-os no papel , sem porque adianta-se a noite , estou alquebrado , dorida a cabeça , e tenho ainda de escrever ao teu excelente Jeronimo teu esposo , companheiro , protetor e maior amigo Não pude ainda saciar as saúdes da tua Mamãe e menos mais o repouso que necessito obriga-me a lhes dar boas noites . Ali também dou um abraço ao meu filho , uma benção e afagos a linda Acima e desejos de saúde para todos da tua casa adeus adeus Teu Pai que te abençoa e teu amigo que te que te abraça Pedreira